ASP.NET Web API: Implementação Assíncrona


A Microsoft trabalha para que na próxima versão do C# e do VB.NET, eles já saiam com suporte para programação assíncrona. Como eu já havia mencionado em um post anterior, a ideia é facilitar a programação assíncrona, que não é nada trivial. A ideia é tornar a escrita de um código assíncrono, muito próximo a escrita de um código síncrono, e nos bastidores, o compilador faz grande parte do trabalho. Grande parte das funcionalidades do .NET Framework que já possuem suporte nativo ao consumo em formato assíncrono, foram readaptados para que assim, os desenvolvedores possam fazer uso dos recursos oferecidos pela linguagem para consumi-los.

Desta mesma forma, algumas tecnologias que dão suporte à construção de funcionalidades assíncronas, também sofreram adequações para este novo modelo. Para citar um caso, o WCF permite agora a construção de um serviço assíncrono de forma muito mais tranquila que antes, onde tínhamos que implementar um contrato assíncrono.

Já o ASP.NET merece algumas considerações: o ASP.NET Web Forms traz o conceito de páginas assíncronas, que também farão uso dos recursos das linguagens para implementa-las. O ASP.NET MVC possui uma classe chamada AsyncController, de qual herdamos e com pequenos ajustes, conseguimos ter ações sendo disparadas de forma assíncrona. Na próxima versão, o ASP.NET MVC também flexibilizará a criação das ações assíncronas, deixando, novamente, o trabalho árduo para o compilador.

Agora, ao utilizar o ASP.NET Web API, também podemos fazer com que as ações expostas pela API sejam processadas assincronamente. Como é a primeira versão desta tecnologia, a forma de escrevermos as ações assincronamente, é somente através dos recursos das linguagens. Só que antes de exibir como procedemos para criar o código assíncrono, vamos primeiramente criar a versão síncrona desta ação:

public class NoticiasRegionaisController : ApiController
{
    private const string ServicoDeNoticias =
        “http://localhost:1256/api/noticias/recuperar”;

    [HttpGet]
    public IEnumerable<NoticiaDaRegiao> Recuperar()
    {
        return
            JsonArray.Parse
            (
                new WebClient().DownloadString(ServicoDeNoticias)
            ).ReadAsType<IEnumerable<NoticiaDaRegiao>>();
    }
}

Note que há um serviço chamado NoticiasRegionais, qual recorre à um outro serviço que é mais abrangente, para extrair as notícias de uma determinada região ou cidade. No interior do método Recuperar, propositalmente fazemos a chamada para o serviço e esperamos pelo resultado, que ao voltar, efetuamos o parser e, finalmente, convertemos para o formato esperado e retornamos ao cliente.

Ao rodar esse código, a requisição será bloqueada pelo runtime até que o resultado seja devolvido pelo serviço. Isso prejedica, e muito, a escalabilidade do serviço. O fato da thread ficar bloqueada enquanto espera pelo resultado do serviço, ela poderia estar atendendo à outras requisições, que talvez não exijam recursos de terceiros (I/O bound). O fato de disponibilizar a thread para que ela possa atender à outras requisições, farão com que elas não esperem por um – longo – tempo indeterminado, pois como dependemos do resultado de um terceiro, poderíamos arranjar muito trabalho para esta thread, até que ela precise retomar o trabalho da requisição anterior.

O gráfico abaixo apresenta algumas medições que foram feitas no serviço acima, que foi implementado de forma síncrona. Entre os contadores podemos visualizar a média do tempo gasto para que a requisição retorne, e além disso, a quantidade de requisições que o serviço de notícias regionais é capaz de atender por segundo.

Como mencionado acima, podemos implementar o controller da API de forma assíncrona, o que exigirá algumas mudanças, mas nada que faça com que seja necessário escrever e/ou gerenciar uma porção de código para garantir o assincronismo. Com isso, o primeiro detalhe a notar na escrita da ação assíncrona, é a exigência da keyword async, que faz parte do C#. Além disso, uma das grandes diferenças aqui, é com relação ao tipo de retorno da ação. No exemplo anterior, retornávamos um IEnumerable<T>, onde o tipo T é representado pela classe NoticiaDaRegiao. Aqui, ao invés disso, vamos retornar um Task<TResult>, onde TResult será definido com o mesmo tipo de retorno da ação síncrona, ou seja, IEnumerable<NoticiaDaRegiao>.

Internamente a implementação também mudará. Passamos a recorrer a classe HttpClient, que fará parte do .NET Framework, utilizado para consumir serviços REST, fornecendo vários facilitadores. Além disso, o fato de colocarmos a keyword async na assinatura do método, o compilador já nos obriga a definir o local que vamos aguardar pelo resultado, e para isso, utilizamos uma segunda keyword, chamada de await. No exemplo abaixo aguardamos a resposta voltar, e além disso, também invocamos a leitura do corpo da mensagem de forma assíncrona. Com isso, a ação que tínhamos foi rescrita e ficou da seguinte forma:

public class NoticiasRegionaisController : ApiController
{
    private const string ServicoDeNoticias =
        “http://localhost:1256/api/noticias/recuperar&#8221;;

    [HttpGet]
    public async Task<IEnumerable<NoticiaDaRegiao>> Recuperar()
    {
        using (var client = new HttpClient())
            return await
                (await client.GetAsync(ServicoDeNoticias))
                .Content
                .ReadAsAsync<IEnumerable<NoticiaDaRegiao>>();
    }
}

Com isso, ao executarmos novamente os testes, agora contra o serviço implementado de forma assíncrona, veremos um ganho considerável, onde o tempo de resposta diminui e a quantidade de requisições atendidas por segundo aumenta. O gráfico abaixo já reflete essa mudança:

A implementação assíncrona trouxe um resultado interessante, aumentando a capacidade da aplicação de lidar com muitas requisições, e isso tende a aumentar dependendo das características do ambiente, como máquina, recursos, funcionalidades do serviço, etc.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s